Gazeta do Povo : Músicos Paranaenses na Coletânea Re-Trato.

Publicado no Caderno G da Gazeta do Povo (PR), em 15/02/2012
Texto de RAFAEL COSTA

Jonathan Campos/Gazeta do Povo / Para a banda Nevilton, de Umuarama, Los Hermanos foi inspiração para fazer rock em português

Para a banda Nevilton, de Umuarama, Los Hermanos foi inspiração para fazer rock em português

Um tributo que fala da cena local

Destaques paranaenses participam de coletânea em homenagem ao Los Hermanos e revelam pontos em comum com a banda carioca.

Toda a geração de artistas que faz música autoral consistente na cena local hoje já atua com certo conforto no mercado que vem se desenhando desde o início dos anos 2000: indústria fonográfica menor, facilidade para gravar e divulgar trabalhos independentes, maior liberdade artística, fãs pulverizados em nichos. O cenário não parou de mudar, mas uma das bandas brasileiras mais emblemáticas dessa transição foi a Los Hermanos, que comemora 15 anos em 2012 com uma turnê que passa por Curitiba, no festival de música Lupaluna (dias 18 e 19 de maio, no BioParque).

Uma coletânea idealizada pelo site Musicoteca em homenagem ao quarteto carioca, e que será lançada em abril, mostra como é heterogênea a geração que foi influenciada ou reconhece a relevância do grupo. São 33 artistas nacionais que vão de Velhas Virgens a Bárbara Eugênia. Entre eles, estão os paranaenses A Banda Mais Bonita da Cidade, Banda Gentileza, Jô Nunes, Leo Fressato, Música de Ruiz e Nevilton – alguns dos nomes representativos de uma cena local produtiva, que compartilha alguns dos “valores” que marcam o trabalho dos cariocas.

Jonathan Campos/Gazeta do Povo / Estrela Leminski diz que o grupo do Rio de Janeiro marcou uma época de diluição de fronteiras entre gêneros

Estrela Leminski diz que o grupo do Rio de Janeiro marcou uma época de diluição de fronteiras entre gêneros. (Jonathan Campos/Gazeta do Povo)

“O Los Hermanos mexeu em vários pontos-chave”, diz a musicista Estrela Leminski – junto com Téo, integrante do Música de Ruiz, ela gravou uma versão em tango de “A Outra” para a coletânea. “Eles são uma banda que acaba representando a passagem dos grupos de rock mainstream para a cena independente”, explica a compositora, para quem um dos impactos da transição foi o rompimento da “barreira” que existia entre o rock e a música popular brasileira.

Em mais um dos aspectos que correspondem à geração de hoje, a trajetória da banda ajudou a diminuir a importância da separação entre gêneros. “Eu sempre tive dificuldades em me rotular. Sempre estive entre rock, MPB e vários gêneros. A influência que tive deles não é tanto musical, mas no sentido de me colocar como compositora”, diz Estrela. “Eles deram uma lição para os dois lados. Fizeram a MPB considerar o rock, e, ao mesmo tempo, fez o pessoal do rock ortodoxo ver que também poderia se enquadrar como canção, ser cantarolável, ter roupagem sofisticada”, diz a artista, para quem o Los Hermanos fazia “canções com C maiúsculo”.

Por falar em rock, a banda umuaramense Nevilton, atualmente radicada em São Paulo, participa da coletânea com “Fingi na Hora Rir”, ressaltando o lado mais roqueiro da música. “Tem uma pegada bastante animada, mesmo a letra não sendo feliz”, diz o vocalista e guitarrista Nevilton. São das letras de Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante, os compositores do Los Hermanos, aliás, que Nevilton lembra ao falar sobre sua identificação com a banda. “Foi para que a gente considerasse fazer música em português para gente jovem. Para tirar essa coisa mítica de que o rock tem que ser feito sempre em inglês.”

Liberdade

A postura dos cariocas na condução da carreira após o sucesso do hit “Ana Júlia” foi exemplar na opinião de Rodrigo Lemos, da Banda Mais Bonita da Cidade – e a atitude tem algo a dizer a ele e seus companheiros de grupo, que estouraram nacionalmente com “Oração”, de Leo Fressato. “O maior legado foi o que eles lançaram depois disso. E foi quando conquistaram o público que os acompanha até hoje”, diz Lemos – que gravou com a banda uma versão jazzística de “Dois Barcos” para a coletânea.

A preocupação com a renovação e com um trabalho autoral de qualidade, para Lemos, fez com que o Los Hermanos fosse a próxima grande coisa depois da geração do mangue beat de Chico Science. Mas, passado o momento de inspiração do quarteto carioca, que vive um “hiato” pontuado por algumas apresentações ao vivo desde 2007, a cena já vive outro momento. “A necessidade de criar, de se expressar, ficou natural para os músicos”, diz Lemos, que foi cofundador de uma das bandas mais importantes da cena curitibana nesse aspecto, a Poléxia, que existiu entre 2002 e 2009. “Vejo um pessoal cada vez mais novo com o impulso de sair criando – não copiando, imitando. Compor deixou de ser uma questão ‘existencial’ para os músicos”.

Entre os Melhores de 2011 para a Rolling Stone Brasil!

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É com muita alegria e honra que recebemos a notícia de que o De Verdade está na lista dos melhores do ano para a Rolling Stone Brasil. É o nosso segundo lançamento fonográfico oficial e é a segunda vez que entramos nesta mesma lista, freqüentada por nomes como Chico Buarque, Marcelo Camelo, Erasmo Carlos… (o Pressuposto entrou Top 10 do ano passado ). Então, confira aí o que rolou neste ano!

Melhores Discos Nacionais de 2011

 

 

12 . Nevilton : De Verdade
A estréia em disco dos Paranaenses de Umuarama vem com 14 canções de essência pop e muito pouco da tradicional ingenuidade do atual rock brasileiro : uma combinação certeira d epower pop dos anos 90 com inspirações, guitarras sujas e acentos melódicos.

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Melhores Músicas Nacionais de 2011

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11. Nevilton : Delicadeza
A canção e um desabafo de alguém que sofreu demais com uma paixão e agora se sente aliviado com o fim. Com guitarras que choram uma melodia propositalmente triste e letra que carrega uma poesia dolorosa, a delicadeza fica mesmo restrita ao título.

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Muito Obrigado!
Aproveite e veja as outras fotos tiradas da revista na galeria alí em cima.

De Verdade é o melhor do ano para o “A Redação”

O Jornal Goiano “A Redação”, através de enquete com críticos especializados, elegeu o De Verdade, como o melhor disco de 2011. Veja a matéria abaixo:

Os Melhores Discos de 2011
Por Raisa Ramos

Publicado em 22.12.2011 

Dezembro é um mês marcado por boas tradições: enfeites de Natal na cidade, pêssegos e ameixas na fruteira, castanhas espalhadas pela casa, presentes, planos de melhorias para o futuro e, claro, as listas de melhores do ano. Todo mundo, mesmo que mentalmente, costuma fazer um ranking das melhores viagens que fez nos últimos doze meses, ou dos melhores restaurantes que frequentou, dos melhores e piores momentos vividos, das festas mais badaladas, dos melhores shows, enfim. Tudo é motivo para listas. Pensando nisso, o jornal A Redação convidou um time de especialistas bastante competentes para ajudar a eleger os melhores filmes e discos lançados em 2011.

Nesta matéria específica, divulgamos os cinco melhores álbuns nacionais e os cinco melhores internacionais – os melhores filmes vêm logo mais, em uma matéria separada. Participaram do júri Pablo Miyazawa, editor-chefe da revista Rolling Stone Brasil; José Flávio Júnior, crítico musical da revista Bravo!; Fabrício Nobre, empresário e produtor cultural; Pablo Kossa, jornalista e produtor cultural e Carol Nogueira, repórter de música da Folha de S. Paulo. Além do voto dos especialistas, o ranking também contou com um voto de minerva da editoria de Cultura do AR para desempate técnico. Para se chegar ao resultado final, foi levado em consideração tanto a frequência dos títulos nas listas dos jurados quanto a posição em que eles apareciam, e a consequência dessa “brincadeira” são discos que realmente surpreendem os amantes da primeira arte.

1º lugar: Nevilton – De Verdade
O power trio é paranaense, mas foi formado em Los Angeles, nos Estados Unidos, em 2007. De lá para cá, a banda vem chamando cada vez mais atenção, com suas músicas juvenis e boas referências. Vencedores da categoria Experimente do Prêmio Multishow 2011, Nevilton se destaca no cenário de música independente nacional. Colecionando elogios da imprensa especializada, o som do trio é uma síntese bem feita entre a música brasileira e o rock. Não é à toa que o disco de estreia do grupo já conquistou o primeiro lugar entre os melhores álbuns do ano. É Umuarama (PR) conquistando o Brasil.


Veja aqui a matéria completa, com lista dos melhores Nacionais e Internacionais.

Entre os Melhores de 2011 para o TMDQA.

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O Blog “Tenho Mais Discos Que Amigos” elegeu o nosso “De Verdade” como o 9º melhor disco nacional de 2011, numa lista contendo Rancore, Matanza, Crioulo e outros grandes da música nacional. É obvio que ficamos felizes! Olha só:

Nevilton é pop, é rock, e é genuinamente brasileiro, tudo na medida certa. Diretamente do interior do Paraná, o trio consegue ser diferente sem exagerar no experimentalismo, mas é açucarado sem ser polido para o grande mercado. Se mais bandas nacionais seguirem o caminho deles, o rock tem um grande futuro no Brasil.

Acesse o TMDQA e veja os outros melhores do ano!

Resenha : De Verdade “Na Mira do Groove”

Nevilton e o rock de verdade
Trio do Paraná, que conquistou inúmeros fãs ao redor do Brasil com o EP Pressuposto, lança o aguardado primeiro álbum.

Publicado em 01 de Dezembro de 2011.
por : Tiago Ferreira
fonte : Na Mira do Groove

O Nevilton começou mais ou menos como uma explosão. Apesar de terem iniciado as atividades em 2007, o pavio começou a se encurtar quando eles lançaram no ano passado o EP Pressuposto, que foi muito bem falado por sites especializados em música daqui.

Um resumo do Nevilton: “Música brasileira e rock livre de preconceitos. Síntese de um montão de influências, desde Noel Rosa até The Black Keys”

A faixa-título tem muitos requintes pop, mas é levada por solos esparsos junto a riffs pegajosos, algo que oscila entre a jovialidade do Autoramas e a firmeza estética do rock’n roll do Pixies. Em dois minutos e meio de canção, já temos um resumo do que é o Nevilton, grupo encabeçado por um membro de mesmo nome (Nevilton de Alencar), que toca guitarra e faz os vocais. Para completar o já consagrado ‘power trio’, Thiago Lobão assume o baixo – e também canta – e Flipi Stipp toca bateria.

Eles vieram da desconhecida Umuarama, interior do Paraná, e já tocaram em cidades conhecidas e afastadas do Brasil, algo bem ambicioso para uma banda que, à distância, ainda cheira a talco. (Inclusive, eles abriram um show para o Green Day neste ano, para mais de 40 mil pessoas.)

Todo o vigor roqueiro é aliado a referências distintas que vão de Anjos do Inferno a Black Sabbath. “Música brasileira e rock livre de preconceitos. Síntese de um montão de influências, desde Noel Rosa até The Black Keys”, resumiu o trio em um especial de novas bandas do jornal carioca O Globo.

Neste ano, eles solidificaram o terreno com o lançamento do álbum De Verdade, que traz algumas composições do EP anterior, como “Pressuposto”, que abre o disco, e “Vitorioso Adormecido”, que exalta um personagem anônimo ao dizer que “aos poucos ele ganha e cresce (…)/Um cara como você”. A faixa pode até servir como antítese à conhecida “Cara Estranho”, dos Los Hermanos, que vai por uma linha mais depreciativa nessa mesma construção narrativa.

Muitas canções já são conhecidas do público. “Bolo Espacial” cita os prazeres de se ouvir Ramones e Nirvana. As linhas de guitarra são nostálgicas no sentido grunge da coisa, e a banda fala sobre os velhos tempos de loucura. “Delicadeza”, escrita quando Nevilton e Lobão estavam no último ano do colegial, ganhou arranjos que enfatizam a verve roqueira do grupo.

Não há nenhuma pretensão no som do Nevilton. Poderíamos até dizer que é uma Jovem Guarda moderna temperada pelo que há de melhor do rock clássico. É mais ou menos por aí que se entende a alcunha da banda de ‘rock presidencial’. “Esse negócio de música autoral não dá grana. Então, no começo, em vez de comprar cerveja, a gente comprava um conhaque barato chamado Presidente. Aí pegou: fazemos o rock do conhaque Presidente”, confessou Nevilton em entrevista à Rolling Stone.

Portanto, a hora de pular é agora. Abandone os argumentos negativos sobre o rock nacional e deixe-se levar pelo som divertido e dançante do Nevilton.

Resenha : De Verdade no Maringuaça

fonte : Maringuaça
por : Leonardo Milan 

Falar deste álbum é quase que como falar de uma parte da minha vida. Ir ao show desse trio é sempre voltar com histórias, sorrisos ou ressaca.

A música dos paranaenses de Umuarama sintetiza talvez um novo pop rock. Composições de altíssimo nível, algumas delas entoadas há tempos nos shows pelo país, outras um tanto mais recentes. Harmonias muito boas, vocalização extremamente competente.

Para aqueles que já viram a banda sabem que ao vivo é uma loucura interessante, com mudanças rítmicas e referências musicais diversas. Eu mesmo que gosto basicamente de um som mais pesado, nunca resisto à uma apresentação deles.

A grande diferença entre a gravação e as apresentações é que podemos nos atentar melhor nos instrumentos. Nota-se ainda mais que o Nevilton é um excelente guitarrista, arranjos impecáveis, assim como nas linhas de baixo do Tiago Lobão, isso sem contar os backing vocals que estão perfeitos.

Chega de rasgar seda, eles tem “nome de remédio” e suas músicas falam de relacionamentos à cerveja. Vá ao show, não se arrependerá.

Resenha : De Verdade na Rolling Stone Brasil

Rolling Stone Brasil - Outubro de 2011

“Com letras espertas e boas guitarras, trio foge da ingenuidade do rock nacional.”

Rolling Stone Brasil - Outubro de 2011

por MARIANA TRAMONTINA
Fonte: Rolling Stone Brasil
13 de Outubro de 2011

Depois de lançar um elogiado EP e receber um Prêmio Multishow, o trio paranaense Nevilton não traz novidades em seu disco de estreia para quem já conhece a banda. Mas, aos não iniciados, o grupo faz as honras com 14 temas de guitarra, baixo e bateria bem mais interessantes do que os que costumam frequentar rádios e festivais. Sobressai a combinação do power pop dos anos 90 com a inspiração do rock brasileiro, unindo guitarras sujas e acentos melódicos. Há momentos familiares, como “Pressuposto”, que nasceu pronta para FMs, e “A Máscara”, quando salta a semelhança vocal de Nevilton com Nando Reis e uma levada com jeito de Skank. As influências, no entanto, ultrapassam barreiras e traçam um perfil próprio, como a garageira “Fortuna”, que se desenrola em uma bossa que foge da obviedade. Os melhores momentos estão em “Tempos de Maracujá”, “Bolo Espacial” e no quase rockabilly “Me Espere Menino Lobo” e seu solo virtuoso sem ser gratuito. Com letras espertas e boas melodias, as canções têm uma essência pop, felizmente sem a ingenuidade que converte em música infanto-juvenil parte do repertório do rock nacional. A banda peca na falta de produção e de um polimento, mas, para ouvidos cansados da mesmice, Nevilton entrega música de verdade.


Nevilton
De Verdade
Independente


Resenha : De Verdade no 505 Indie

por Foca
Fonte : 505 Indie

Então eu estava lá, na passagem de som do Quarto Negro, quando o Nevilton veio falar comigo. Foi simpático, falou que já tinha visto um ou outro tweet nosso, e nos deu o CD para escutar.

Eu já tinha assistido a passagem de som deles, fiquei bem impressionado com o som que esse powertrio formado por Nevilton de Alencar (guitarra e voz); Tiago Lobão (baixo e voz) e Flipi Stipp (bateria), fazia.

Ouvindo o CD em casa, logo de cara sou bombardeado por uma guitarra cheia de energia e riffs interessantes, junto com linhas de baixo e bateria que enriquecem o som e dão uma excelente base para as canções. Chegando na terceira faixa, Tempos de Maracujá, tive uma sensação de estar vivendo os anos dourados do rock nacional, porque a gente tem boas bandas para representar o nosso BRock.

Na quinta música, Bolo Espacial, tive a certeza de que ouvindo um Nevilton, tudo fica bem legal. E fica mesmo! A banda que venceu o prêmio Multishow Experimente 2011, traz referências abrangentes que vão de Paralamas e Barão Vermelho, até Los Hermanos e Nando Reis. As letras abordam o cotidiano e sentimentos complexos com lírismo e um toque radiofônico, que me faz pensar que estamos perto de voltar a escutar rock em português nas rádios.

Até a última das 14 canções que compõe o disco de estréia, eu fiquei colado no trabalho desses paranaenses de Umuarama, “sem nem lembrar de hora pra voltar”, tamanha a energia e frescor que eles trazem em todas as faixas. O trio não deixa a peteca cair em nenhum momento! Tudo que você quer é “ficar em paz com quem quer que seja”, ouvindo esse belo álbum.

Nota: 8.5/10
Melhores Faixas: Tempos de Maracujá, Bolo Espacial, Fortuna, Delicadeza